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Meio Ambiente

11/05/2019

Moradores denunciam crimes ambientais na região do entorno do Parque Nacional do Caparaó

ALTO CAPARAÓ (MG) - Equipes do Pelotão de Polícia Militar de Meio Ambiente de Alto Caparaó registraram na primeira semana de maio, vários registros de crimes ambientes com mais de 8 hectares de área desmatada, algumas delas próximas a nascentes e cursos d’água.

As ações aconteceram nas comunidades de Capim Roxo e Córrego Montes Claros, no município de Caparaó, sendo fiscalizados quatro pontos de desmatamento. “As áreas desmatadas somaram 8,76 hectares, o que equivale a mais de 8 campos de futebol; apreendemos quase 240 m³ de madeira e as autuações somaram mais de R$ 100 mil reais a quatro proprietários rurais”, explicou o Sargento Ladsmar.

O desmatamento no Brasil é um dos grandes problemas ecológicos que o país enfrenta na atualidade. Várias são suas causas, e elas têm peso distinto nas diversas regiões, sendo as mais importantes a conversão das terras para a agricultura ou para a pecuária, a exploração madeireira, a grilagem de terras, a urbanização e a criação de infraestruturas como pontes, estradas e barragens.

O desmatamento não é um problema ambiental isolado. Ele está intimamente ligado a outros danos ecossistêmicos, como o declínio da biodiversidade, a poluição, a invasão de espécies exóticas e o aquecimento global, e essa interação os reforça mutuamente, gerando efeitos negativos maiores do que a simples soma de seus componentes, efeitos que são muitas vezes irreversíveis. Mais do que isso, o desmatamento no Brasil tem sido repetidamente associado ao crescimento da violência no campo, ao êxodo rural, às migrações, à desintegração de comunidades tradicionais, ao empobrecimento cultural, a problemas de saúde pública e outras questões sociais de ampla repercussão, além de acarretar importantes prejuízos econômicos.

Os especialistas afirmam que são necessárias medidas muito mais enérgicas de combate, que levem em consideração os dados científicos antes do que os interesses políticos e econômicos, e que incluam uma educação da sociedade em larga escala, pois grande parte do problema deriva da escassa informação do público em geral sobre a decisiva influência dos seus hábitos e formas de pensamento na degradação das florestas e de todo o meio ambiente, e sobre as repercussões negativas em larga escala que disso derivam, em prejuízo tanto da natureza como da qualidade de vida das pessoas.

"Os custos da degradação não incidem sobre os que degradam, mas recaem sobre a sociedade como um todo e sobre as gerações futuras. Observa-se, assim, que o uso do meio ambiente gera externalidades que são custos ambientais não reconhecidos no sistema de preços e, portanto, externos às funções de custo e de demanda. Consequentemente, o sistema de preços de mercado não gera incentivos apropriados para o uso eficiente dos recursos naturais, os quais, tratados como recursos livres ou de custo muito baixo, tendem a ser superexplorados. Dessa forma, já é amplamente reconhecida a necessidade de internalizar os custos ambientais nas atividades de produção e consumo de forma a induzir a mudança do padrão de uso dos recursos naturais", ressalta Ronaldo Seroa da Motta, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica.

De acordo com o Sargento Ladsmar, a participação da comunidade através de denúncias é muito importante. “Sabemos que a nossa região possui uma área territorial muito grande e a participação da comunidade junto às instituições de segurança é de fundamental importância para uma fiscalização eficaz”, disse o Militar.

Participaram da operação o Sargento Ladsmar e os Cabos Werneck e Cerqueira.

Jailton Pereira