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Turismo

25/01/2019

Crise leva prefeitura a cancelar Carnaval em Manhumirim

MANHUMIRIM (MG) - O Prefeito de Manhumirim, Luciano Machado, usou as redes sociais, na quinta-feira, 17/01, para comunicar que não haverá carnaval no município em 2019. Ele argumentou que a administração irá investir na reforma das escolas rurais, que se encontram em péssimas condições estruturais.

De acordo com o Prefeito Luciano Machado, o evento será cancelado devido a outras prioridades. “Desde 2017, os municípios mineiros estão sofrendo com a falta de repasses do Governo do Estado de Minas Gerais e para driblas as dificuldades financeiras e continuar investindo no município, foi tomada a decisão de não haver carnaval no ano de 2019”, afirmou em vídeo.

O decreto 267 do Poder Executivo vai além e não serão autorizadas festas de particulares. O documento argumenta que a medida é para diminuir ainda mais os gastos e não serão liberados alvarás para particulares, pessoas físicas ou jurídicas, para eventos externos que utilizam os espaços públicos.

Segundo a administração, mesmo não organizando o carnaval, caso fosse liberado os alvarás para esses eventos, a Prefeitura teria que arcar com despesas como segurança, ambulância, serviços de limpeza, horas extras pagas para os funcionários, entre outros gastos e responsabilidades.

Em outra postagem, o Governo de Manhumirim informa que os recursos que seriam gastos no Carnaval serão aplicados nas reformas de seis escolas rurais nos Córregos do Ouro, Tavares, Bomfim, Assis Brasil, Cabeceira do Pirapetinga e Poço Fundo.

VEJA O VÍDEO

REPERCUSSÃO

A medida da Prefeitura de Manhumirim divide opiniões nas redes sociais. Como a cidade é uma das que mantém uma das festas mais movimentadas na região e a presença do Bloco Mula Atômica, naturalmente houve protestos e críticas. Por outro lado, também há pessoas manifestando favoravelmente.

Em uma postagem, o empresário Alan Caetano, criticou a postura do Poder Executivo. “Sob o pretexto de “economizar” o prefeito está proibindo a festa mais popular do município. Cobre pelos alvarás! Algum contador poderia se reunir com ele e sua equipe e fazer a seguinte matemática: 5 mil visitantes por dia x 100,00 de gasto médio de cada um. No mínimo, 1 milhão de reais injetados na economia local”.

Para ele, a festa gera recursos para o município: “Comerciantes trabalhando, gerando impostos. Hotéis, supermercados, açougues, mercearias, restaurantes, padarias, bares, vendedores ambulantes, traillers de sanduíches, lanchonetes, costureiras, taxistas, farmácias, distribuidoras de bebidas, postos de gasolina, lojas, salões de beleza e barbearias. Turismo.... Todos envolvidos, ganhando dinheiro e gerando renda pro município. Contabiliza todo este faturamento. Será que manter as ruas limpas gera uma despesa tão alta que inviabiliza o Carnaval?”, questiona.

Outro empresário também faz coro às críticas da decisão de proibir os eventos particulares. Para Mauro Vidal, “não fazer Carnaval com dinheiro público é acertado, mas não dar alvará para quem quer fazer acho que é até inconstitucional! O comércio depende do turismo e gera renda para o município, se a situação já não está boa pode piorar pois o carnaval é uma festa popular!”.

Mas também há quem concorde. Em postagem na rede social, Glecias Lamy considera que foi “uma decisão muito sábia! Estamos precisando de muita coisa na cidade e não festa. Precisei de exames do meu filho, fiquei o ano todo tentando e só agora consegui aqui em Vitória. Nossa cidade precisa muito primeiro resolver questão de saúde e segurança que estão péssimas”, ponderou.

Já outro concorda que foi boa decisão. “Quero parabenizar, pela sábia decisão, como funcionário e cidadão”, completou Romero Brandão Souza.

Já em suas redes sociais, o Bloco Mula Atômica até então confirma a realização da festa na cidade.

Carlos Henrique Cruz - carlos@portalcaparao.com.br