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16/05/2017

Católicos participam de encerramento da fase diocesana de beatificação

MANHUMIRIM (MG) - A primeira fase do processo de beatificação do Servo de Deus padre Júlio Maria De Lombaerde, fundador da Família Sacramentina, foi encerrada no último sábado, 13/05, no Santuário do Senhor Bom Jesus, em Manhumirim. A cerimônia contou com a presença do bispo diocesano, dom Emanuel Messias de Oliveira, e um grande número de católicos durante a celebração. Logo após houve o ato jurídico com a presença do postulador ou advogado da causa, o italiano Paolo Vilotta, de Roma, Itália.

O processo de beatificação de padre Júlio Maria foi aberto em 24 de janeiro de 2015. Nesse período, comissões fizeram levantamentos de dados sobre a sua santidade, documentando suas ações e pregações.

A partir de agora, os documentos serão enviados a Roma, dando início à próxima fase. Caso os documentos sejam aprovados, será necessária a comprovação de dois milagres, sendo uma para beatificação e outro para a canonização.

COMO É O PROCESSO

Os processos de beatificação podem ser longos e demorar quase cinco décadas.

Tudo começa com a fama de santidade e virtude do candidato a beato, junto a um clamor da população. Os processos, com autorização do Vaticano, começam cinco anos depois da morte do candidato a beato.

Quando começa o processo, a pedido de uma congregação, de uma diocese ou outra instituição ou ordem religiosa, o candidato a beato pode ser chamado de “servo ou serva de Deus”. É preciso haver um milagre comprovado e que a medicina não consiga explicar, além de declaração de graças alcançadas, entre outras coisas.

A primeira parte do processo de beatificação se dá em nível diocesano e só depois disso toda a documentação é enviada para Roma para análises, verificação das procedências e outros aspectos.

Quando termina o processo de beatificação, começa o de canonização (tornar-se santo), sendo necessária a comprovação de outro milagre.

MILAGRES

Alguns dos relatos de graças e milagres alcançados sob a intercessão de padre Júlio Maria são de Caparaó, Manhumirim e Carangola, cidades da região onde o religioso atuava.

O primeiro caso data de 1946, quando uma mãe relatou a cura imediata de dois filhos atacados por coqueluche. A mesma senhora se disse curada de um inchaço no nariz, depois da aplicação de relíquia do padre.

No segundo caso, em 1947, a moradora Maria Lima Ribeiro agradeceu ao religioso duas bênçãos alcançadas em favor de uma filha e de um sobrinho.

O terceiro relato, deste mesmo ano, é de um homem que alcançou uma graça para o filho. As histórias estão registradas em edições do Jornal Lutador, um periódico católico conhecido internacionalmente e fundado pelo Servo em 1928.

Com sede em Belo Horizonte, o periódico circula ininterruptamente há mais de 80 anos.

OBRA

O padre Júlio Maria começou sua missão na cidade de Macapá (AP). Ele foi escritor, professor, médico e farmacêutico. O religioso também fundou escolas e bandas de música para jovens. Em Manhumirim ele construiu o Ginásio Pio XI, o Colégio Santa Teresinha, o Patronato Agrícola Santa Maria, Asilo São Vicente de Paulo e o Hospital São Vicente, hoje chamado Hospital Padre Júlio Maria, conforme os sacramentinos.

TRAJETÓRIA

Padre Júlio Maria nasceu dia 7 de Janeiro de 1878 na aldeia de Beveren, município de Waregem na Bélgica. Com 17 anos partiu para Boxtel, na Holanda, para iniciar a vida religiosa. Fez missões paroquiais pela França, Bélgica e Holanda. Em 1912, embarcou para o Brasil para as “as missões amazônicas”.

Em terras brasileiras, passou por Recife, Natal, Belém e Macapá - por onde ficou quase 16 anos. A partir daí se mudou para Minas e foi recebido com entusiasmo pelos católicos. No estado, ele fundou as três congregações que hoje se dedicam ao processo de beatificação: Filhas do Coração Imaculado de Maria – Irmãs Cordimarianas [1916]; Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora [1929].

O padre Júlio Maria de Lombaerde morreu em 1944, vítima de um acidente de trânsito quando viajava de Vargem Grande (em Alto Jequitibá) para Manhumirim.

Carlos Henrique Cruz - Fotos Divulgação Prefeitura de Manhumirim